20 de abril de 2021

“Vou provar minha inocência”, diz coronel sobe máfia

 “Vou provar minha inocência”, diz coronel sobe máfia
Tenente-coronel Antônio Eriverton quando chega a São Luís sob escolta (Foto: Biné Morais)

O ex-comandante do 21º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Antônio Eriverton Nunes de Araújo, de 49 anos, está desde o início da noite de ontem preso em uma das celas do presídio militar, conhecido como Manelão, na sede do comandando geral da Polícia Militar, no Calhau. De acordo com informações da polícia, o oficial foi preso na tarde de terça-feira, 6, na Região da Grande Belém, no Pará, acusado de fazer parte da organização criminosa especializada em contrabando de carga, da qual faz parte policiais e políticos. Uma operação da polícia na madrugada do dia 22 de fevereiro acabou prendendo uma parte do bando em um sítio, no povoado Arraial, no Quebra-Pote.

“Não estou sabendo do que estou sendo acusado, mas vou provar a minha inocência”, declarou Antônio Eriverton ao desembarcar do helicóptero do Centro Tático Aéreo (CTA), na sede da Secretaria de Segurança Pública (SSP), na Vila Palmeira. Ele disse, também, que foi detido quando estava fazendo um curso de especialização de polícia na Escola Militar da Polícia do Pará, em Marituba, localizada na Região da Grande Belém.

Após a detenção, o oficial foi levado para a sede do comando geral da Polícia Militar do Pará, na capital paraense, e na manhã de ontem, foi apresentado ao comandante do Centro Tático Aéreo (CTA), coronel Ismael Fonseca. Ele chegou a São Luís, no começo da tarde e foi levado para Superintendência Estadual de Combate a Corrupção (Seccor), no São Francisco, escoltado pela viatura do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

O coronel Sodré, comandante do Bope, informou que a determinação da cúpula da SSP era para apresentar Antônio Eriverton ao superintendente da Seccor para ser ouvido e em seguida ser apresentado ao comandado geral da Polícia Militar onde vai ficar preso à disposição do Poder Judiciário.

O tenente-coronel Eriverton estava acompanhado na sede da Seccor do seu advogado, Wanderson Barbosa, que afirmou que, ao tomar ciência sobre o teor da prisão, vai tomar as devidas providências. O advogado declarou, ainda, que o seu cliente tem 27 anos de carreira policial e até o momento não havia nada que desabonasse a sua conduta.

Habeas corpus

O pedido de habeas corpus em favor do ex-superintendente estadual de Investigações Criminais (Seic), delegado Thiago Bardal, também acusado de fazer parte desse bando, vai ser apreciado ainda esta semana pelo desembargador João Santana de Sousa, que faz parte da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.

Na última terça-feira, a desembargadora plantonista Nelma Celeste de Souza redistribuiu o pedido de habeas corpus, impetrado pelos advogados de defesa de Bardal. Eles alegaram que o seu cliente estava preso desde o último dia 2 em uma das celas da unidade prisional destinada a policiais civis, na Cidade Operária, em cumprimento a uma ordem judicial assinada pelo juiz da 1ª Vara Criminal da Comarca de São Luís, Ronaldo Maciel. Nesse pedido foi alegado que Bardal era acusado de cometer crime de contrabando que compete à Justiça Federal e a peça acusatória ainda está na fase pré processual de investigação.

O magistrado João Santana também vai apreciar o pedido de habeas corpus solicitado pela defesa do tenente-coronel da Polícia Militar, Reinaldo Elias Francalanci, que está preso desde a tarde de sábado, 3, acusado também de fazer parte dessa organização criminosa.

Já o pedido de habeas corpus impetrado pelos advogados de defesa de Ricardo Jefferson Muniz Belo, que também foi preso acusado de integrar esse bando, no fim de semana, foi denegado pelo desembargador plantonista, Kleber Costa Carvalho.

Mais prisões

Também estão presos, acusados de fazer parte do bando, o soldado da Polícia Militar, Patrick Sérgio Moraes Martins, o ex-vice prefeito de São Mateus, Rogério Sousa Garcia, o sargento Joaquim Pereira de Carvalho Filho, o soldado Fernando Paiva Moraes Júnior, o soldado Paulo Ricardo Carneiro Nascimento e os civis, José Carlos Gonçalves, Éder Carvalho Pereira, Edmilson Silva Macedo e Rodrigo Santana Mendes.

Entenda o caso

Durante a madrugada do dia 22 de fevereiro deste ano foi realizada uma operação da Polícia Militar, que desarticulou uma organização criminosa especializada em contrabando de mercadorias oriunda do Suriname. A base desse bando era um sítio no povoado Arraial, no Quebra-Pote, onde foi preso uma parte do bando criminoso e conduzida a sede da Seccor, no bairro do São Francisco. Ainda no local, foi apreendido arma, munição, veículos e carga de cigarro e uísque. No decorrer da investigação mais dois galpões foram encontrados e a carga contrabandeada, segundo a polícia, é em torno de R$ 100 milhões.

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