4 de agosto de 2020

Vice acusado de matar prefeito tenta assumir após ser solto

 Vice acusado de matar prefeito tenta assumir após ser solto
José Rubem Firmo (em pé) ingressou na vida política no ano de 2012 e foi preso por suspeita de ser o mandante do assassinato de Ivanildo Paiva — Foto: Reprodução

Após receber liberdade provisória, o vice-prefeito José Rubem Firmo (PCdoB) tentou assumir o cargo de prefeito de Davinópolis, na região sudoeste do Maranhão. Para a polícia, José é o mandante do assassinato do prefeito e companheiro de chapa Ivanildo Paiva, em novembro de 2018.

Segundo a polícia, o vice-prefeito teria cometido o crime para tomar o poder devido a promessas não cumpridas, como o pagamento de R$ 300 mil após a reeleição da chapa, além de Ivanildo não ter entregue a ele o controle político da Secretaria de Educação do município. Esses acordos teriam sido feitos a época da campanha, quando ambos buscavam a reeleição.

A tentativa de assumir o cargo de prefeito aconteceu após o juiz da 2ª Vara Criminal de Imperatriz, Marco Antônio Oliveira, atender a um requerimento e retirar a medida cautelar que afastava José Rubem da prefeitura.

O juiz Marco Antônio é o mesmo que revogou a prisão de José Rubem, na última quarta (4). No documento, o magistrado afirma que a decisão sobre afastamento cabe a Câmara de Vereadores.

“Dentre as medidas adotadas cautelarmente, consta o afastamento do cargo, como dito alhures, todavia, com o restabelecimento do status libertatis do acusado e encerrada a instrução criminal, encontrando-se o feito em fase recursal, entendo desnecessária a continuidade da medida que determinou o afastamento do acusado do cargo. Ademais, o afastamento ou não do cargo de Prefeito é inerente à atividade legislativa desenvolvida pela Câmara Municipal, órgão ao qual compete deliberar sobre a questão, por entender que se trata de questão interna corporis”, afirma o juiz.

Câmara se reúne

Após a decisão judicial, a Câmara de Vereadores de Davinópolis se reuniu em caráter de urgência. Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura de Davinópolis, por seis votos a zero, os vereadores decidiram afastar José Rubem da prefeitura.

José Rubem estava preso e foi solto

José Rubem estava preso pelo crime contra Ivanildo Paiva e recebeu liberdade provisória na última quarta (4), após decisão do juiz Marco Antônio. Ele também concedeu liberdade aos outros suspeitos de envolvimento no assassinato de Ivanildo, a exemplo de Antônio José Messias, Francisco de Assis Bezerra Soares, José Denilton Feitosa Guimarães e Willame Nascimento da Silva.

Na decisão, o juiz afirmou que não vislumbra conduta que venha subverter a ordem pública com a liberdade dos acusados, que não poderão se ausentar da comarca e serão monitorados eletronicamente por 100 dias. Todos também serão submetidos a júri popular.

Morte de Ivanildo Paiva

O corpo do então prefeito Ivanildo Paiva foi encontrado na manhã do dia 11 de novembro de 2018, a cerca de 2 km da sede da sua fazenda, na zona rural do município. O sepultamento aconteceu na manhã do dia 13 de novembro, no Cemitério Campo da Saudade, em Imperatriz, a 626 km de São Luís.

Após as investigações, a polícia realizou oito prisões, incluindo do vice-prefeito, José Rubem, apontado como mandante do crime. O presidente da Câmara de Vereadores de Davinópolis, Raimundo Nonato Martins (PRB), assumiu a prefeitura da cidade.

Além de José Rubem, no dia 11 de dezembro a polícia prendeu Francisco de Assis Bezerra Soares, conhecido como “Tita”, que é policial militar no Pará e foi preso em Dom Elizeu. Também foram presos:

José Denilton Guimarães, conhecido como “Boca Rica”, que é mecânico
Willame Nascimento da Silva, policial militar do Maranhão lotado em Grajaú


Jean Dearlen dos Santos, o “Jean Listrado”, que é pistoleiro, segundo as investigações


Douglas da Silva Barbosa, de 22 anos, também foi preso por suspeita de participação no crime.


No dia 22 de dezembro, Carlos Ramiro se apresentou na delegacia com um advogado e ficou preso por força de um mandado de prisão relacionado ao caso.


No dia 27 de dezembro, o empresário Antônio José Messias foi preso em sua própria residência.

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