27 de julho de 2021

Vaticano rompe silêncio sobre Assembleia Constituinte na Venezuela

 Vaticano rompe silêncio sobre Assembleia Constituinte na Venezuela

O Vaticano pediu que “se evitem ou suspendam as iniciativas em curso como a nova Constituinte” na Venezuela, pois, segundo salientou, “mais que favorecer à reconciliação e a paz, fomentam um clima de tensão e enfrentamento e hipotecam o futuro”. O pedido veio em um comunicado divulgado nesta sexta-feira (4) pela Secretaria de Estado da Santa Sé, dirigida pelo cardeal Pietro Parolin, antigo núncio em Caracas.

Esta é a primeira reação oficial do Vaticano após a votação da Assembleia Constituinte, que a oposição não aceita por considerar uma fraude.

O Vaticano lamentou a radicalização e o agravamento da crise “e apontou que o papa ‘segue de perto’ esta situação e ‘suas implicações humanitárias, sociais, políticas, econômicas e, inclusive, espirituais'”.

“A Santa Sé pede a todos os atores políticos, e em particular ao governo, que assegure o pleno respeito dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, como também da vigente Constituição”, destaca a nota.

Além disso, dirigiu uma “premente chamada” a toda a sociedade para que “seja evitada toda forma de violência” e pediu que as forças de segurança se abstenham do “uso excessivo e desproporcional da força”.

Denúncias de fraude
A Assembleia Constituinte, integrada apenas por representantes ligados ao governo de Nicolás Maduro eleitos nos pleitos do domingo passado, deve iniciar suas tarefas nesta sexta, apesar das denúncias de fraude eleitoral.

A Conferência Episcopal da Venezuela (CEV) rechaçou a iniciativa do Executivo de Maduro por considerá-la “perigosa para a democracia” e o presidente dos bispos venezuelanos, Diego Padrón, alertou que poderia derivar em uma “ditadura militar”.

A Constituinte foi rejeitada por países como Brasil, México, Espanha, Colômbia e Estados Unidos, bem como pela União Europeia, enquanto foi reconhecida por China, Rússia, Cuba, Bolívia e Nicarágua.

O Vaticano, que impulsionou no ano passado uma negociação entre as partes que acabou fracassando, se soma deste modo ao grupo de países que exigem que Maduro suspenda seus planos constituintes.

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