27 de julho de 2021

São Luís lidera ranking de casos de hanseníase em crianças

 São Luís lidera ranking de casos de hanseníase em crianças
(Foto: Reprodução)

O Ministério da Saúde iniciou nesta segunda-feira (23) projeto para reduzir a hanseníase no país, com o treinamento de profissionais de saúde da atenção básica. Serão beneficiados 20 municípios no Maranhão, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Piauí e Tocantins. As localidades foram escolhidas por apresentar o maior número de casos novos de hanseníase diagnosticados em menores de 15 anos.

O objetivo do projeto, intitulado Abordagens Inovadoras, é diminuir a carga de hanseníase nas cidades selecionadas com a ampliação do trabalho de descoberta de casos novos e a educação permanente para os profissionais da Atenção Primária à Saúde. O projeto é uma parceria do Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), com apoio da Fundação Nippon, do Japão, e terá duração de três anos, até 2019.

Dos seis estados escolhidos, pelo menos dois municípios que formam a região metropolitana de São Luís estão entre as trinta cidades com maiores números de casos novos de hanseníase em crianças em relação ao restante do país. A capital maranhense lidera o ranking e ocupa a primeira posição.

A lista é a seguinte: São Luís (MA), 1º no ranking de números de casos novos de hanseníase em crianças em relação ao restante do país; Recife (PE), 2º; Olinda (PE), 3º; Marabá (PA), 5º; Teresina (PI), 8º; Cuiabá (MT), 11º; Jaboatão dos Guararapes (PE), 12º; Palmas (TO), 17º; Belém (PA), 23º; São José do Ribamar (MA), 29º; Araguaína (TO), 31º; Cabo de Santo Agostinho (PE), 54º; Paço do Lumiar (MA),61º; Gurupi (TO), 66º; Porto Nacional (TO), 85º; Paulista (PE), 105º; Floriano (PI), 189º; Parnaíba (PI), 300º; Alcântara (MA), 435º; Raposa (MA), 1.698º no ranking.

BRASIL

Segundo a Opas, embora a hanseníase esteja presente em 24 dos 35 países das Américas, todos eliminaram a doença como problema de saúde pública (menos de um caso para cada 10 mil habitantes), exceto o Brasil.

Nas Américas, o número de casos novos diminuiu 35,8% em uma década – de 52.662 em 2004 para 33.789 em 2014. No entanto, nos últimos cinco anos, foram detectados novos casos da doença em 24 países, dos quais 94% foram localizados em território brasileiro.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, na última década, o Brasil apresentou uma redução de 37,1% no número de casos novos, passando de 40,1 mil diagnosticados no ano de 2007, para 25,2 mil em 2016. Tal redução corresponde à queda de 42,3% da taxa de detecção geral do país (de 21,19/100 mil habitantes em 2007 para 12,23/100 mil habitantes em 2016).

Do total de casos novos registrados, 1,6 mil (6,72%) foram diagnosticados em menores de 15 anos, sinalizando focos de infecção ativos e transmissão recente, e 7,2 mil iniciaram tratamento com alguma incapacidade, sendo 1,7 mil com grau 2 de incapacidade física.

PROJETO

O projeto será conduzido por um núcleo de 27 equipes de especialistas nas áreas de Clínica Geral, Prevenção de Incapacidades e Mobilização Social, além de três coordenadores, um para cada área: o Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL) para clínica, tratamento e manejo de reações da doença; a Coordenação-Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação (CGHDE) para a prevenção de incapacidades; a CGHDE e o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN).

Com o projeto em andamento, o Ministério da Saúde quer fortalecer os centros de referência, reduzir a proporção de casos novos com grau 2 de incapacidade física (como garras em mãos e/ou pés e atrofia muscular) – por meio do diagnóstico precoce e ações de prevenção de incapacidades – e enfrentar o estigma e discriminação contra as pessoas acometidas pela doença.

DOENÇA

 

A hanseníase é doença crônica infecciosa que afeta principalmente a pele, os nervos periféricos, a mucosa do trato respiratório superior e os olhos. Pode causar incapacidades e deformidades físicas. A transmissão da bactéria Mycobacterium leprae se dá por meio das vias aéreas superiores. A enfermidade tem cura e o tratamento em estágio inicial evita deficiências.

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