17 de junho de 2021

Pelo menos 23% das mulheres brasileiras já foram ameaçadas por um homem este ano

 Pelo menos 23% das mulheres brasileiras já foram ameaçadas por um homem este ano

De acordo com dados do Instituto Locomotiva, obtidos por meio de pesquisa realizada entre os dias 15 e 20 de agosto, e ouviu 2.030 mulheres e homens em 35 cidades brasileiras, 94% das pessoas avaliam que uma mulher ser “encoxada” ou ter o corpo tocado sem a sua autorização é uma forma de violência sexual.

Somente este ano, segundo a pesquisa, 13,7 milhões de mulheres, equivalente a 17% do total das mulheres adultas do país, afirmaram que já foram “encoxadas” ou foram tocados sem autorização. Este número é ainda maior (20% do total) entre as mais jovens, na faixa etária de 18 a 34 anos.

Mulheres são vitimas de “encoxadas” principalmente em transporte público (Foto: Reprodução)

Conforme a pesquisa, 35% dos brasileiros adultos, ou o correspondente a 84 milhões de pessoas, conhecem uma mulher que foi beijada à força no último ano, o que também constitui violência sexual. A pesquisa mostra que 23% das mulheres (17,8 milhões de mulheres) foram ameaçadas por algum homem este ano.

O presidente do instituto, Renato Meirelles, lamenta que essa realidade seja presente na vida de muitas brasileiras. “Um juiz pode achar que não é violência sexual, mas 94% acham que é. E não estamos falando nem em ejacular”, disse. Na última terça-feira, Diego Ferreira de Novais foi preso após ter ejaculado em uma passageira em ônibus na cidade de São Paulo. No entanto, na ocasião, o juiz José Eugênio Amaral Souza o liberou aplicando uma pena de multa, por considerar o fato uma contravenção penal, e considerou que não houve constrangimento para vítima, o que repercutiu no país.

Para Meirelles, nesse caso e também de um homem que ejaculou me uma mulher em um coletivo no Rio de Janeiro, na última semana, a violência praticada foi interpretada de forma errônea pelo juiz ou a lei não está em sintonia com a vontade da sociedade.

“É importante entender que isso sempre existiu no Brasil. A questão é que agora as mulheres estão mais cientes dos seus direitos, por um lado, e por outro lado, tem as redes sociais que funcionam como denúncia e isso acaba criando uma pressão popular para que as autoridades sejam mais rigorosas no cumprimento da lei”, comentou Renato Meirelles.

A pesquisa pretende provocar o debate na população sobre o tema para mostrar que atos recentes não são exceção, mas são a regra do dia a dia brasileiro. “As mulheres são mais vítimas de abusos e de machismo do que se pode imaginar”, apontou. Completou que não se trata de um ato isolado. “É um ato contínuo”.

 

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