31 de julho de 2021

Beija-Flor é campeã do carnaval do Rio

 Beija-Flor é campeã do carnaval do Rio

Beija-Flor usou história do Frankenstein para fazer crítica à desigualdade social brasileira. / Foto: Alexandre Durão/G1.

Beija-Flor usou história do Frankenstein para fazer crítica à desigualdade social brasileira. / Foto: Alexandre Durão/G1.

A Beija-Flor é a campeã do Grupo Especial do carnaval do Rio. Este é o 14º título da escola de Nilópolis. A escola é a recordista de títulos na era pós-Sambódromo.

A Beija-Flor se acostumou a ganhar sendo a escola do luxo, do brilho e do requinte. Em 2018, fez o contrário disso, e ganhou de novo. Em vez de criar um mundo da fantasia, a Beija-Flor usou as fantasias para mostrar a realidade brasileira.

A escola teve a ousadia de comparar o momento atual do Brasil à história de Frankenstein, da criatura horripilante rejeitada pelo criador, assim como a miséria que é o nosso próprio monstro, criada pelo nosso estilo de vida e rejeitada por nós mesmos.

Um rato gigantesco move o Brasil. Brasília, chamada no enredo de a capital dos monstros, vem no mesmo carro dos presídios, as universidades do crime. O prédio da Petrobras se transforma numa favela, retratando o empobrecimento da população com os corruptos. E eles também aparecem na famosa cena da farra dos guardanapos, o jantar luxuoso em Paris em que o então governador Sérgio Cabral reuniu amigos e assessores.

A Beija-Flor condenou o racismo, a homofobia e o ódio, no carro com a cantora Pabllo Vittar.

Encerrando o desfile, o resultado cruel de todas as distorções da sociedade: a violência. Tiros na escola e a morte do policial, cenas que infelizmente fazem parte do cotidiano e que nunca tinham sido retratadas de forma tão real na Marquês de Sapucaí. Os assaltos e arrastões, de tão bem representados, chegavam até a assustar. Mas em vez de sentir medo, o público entendeu a mensagem e soltou o grito.

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