21 de abril de 2021

Audiência discute queimadas em terras indígenas

 Audiência discute queimadas em terras indígenas

(Foto: divulgação)

(Foto: divulgação)

Foi realizada uma audiência pública para discutir sobre as queimadas que acontecem nas terras indígenas no período de escassez de chuvas. O evento foi promovido no Centro de Ensino Indígena Cacique Raimundo Lopes, na Aldeia Bacurizinho, no município de Grajaú.

A audiência é uma iniciativa da 2ª Promotoria de Justiça de Grajaú, cujo titular é o promotor de justiça Crystian Gonzalez Boucinhas. O evento contou com a participação de várias tribos indígenas, além de representantes dos Poderes Executivo e Legislativo municipal, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Ibama, Fundação Nacional do Índio (Funai) e Empresa Gusa S/A. Na próxima sexta-feira, 8, haverá outra audiência pública na Aldeia Ebeltel, a partir das 14h.

O promotor de justiça Crystian Gonzales explicou que o evento tem por objetivo conscientizar as populações indígenas sobre a necessidade de realizar as queimadas controladas com o auxílio das equipes técnicas disponíveis para este tipo de trabalho.

O membro do Ministério Público relatou que Grajaú é um dos dez municípios do Maranhão com maior número de casos de incêndio, causando vários prejuízos materiais e humanos, a exemplo de duas pessoas que morreram queimadas em aldeias indígenas ano passado.

“Os danos não se limitam à morte de animais e plantas. As queimadas afetam a saúde das pessoas e acarretam problemas de saúde pública, aumentando as filas nos hospitais”, enfatizou o promotor de justiça.

Em sua fala, a cacique Iara Lopes agradeceu ao Ministério Público pela realização do evento e a participação das aldeias indígenas, que se reuniram para discutir estratégias para diminuir os danos causados pelas queimadas.

“No ano passado, tivemos o maior número de incêndios, diminuindo nossas caças, entre outras perdas. Vamos abraçar essa causa e sensibilizar nossos parentes de que é preciso preservar nossas terras”, ressalta a cacique Iara Lopes, relatando os prejuízos que o fogo traz às comunidades.

Queimadas Controladas

Talib Leite, chefe de brigada do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais do Ibama (PrevFogo), explicou que as queimadas fazem parte do que se chama “cultura do fogo”, praticada por comunidades tradicionais para realizar a limpeza e o cultivo de alimentos, por exemplo. No entanto, para que o fogo não fuja do controle e incendeie diversas áreas, há necessidade de solicitar uma equipe técnica para auxiliar a atividade.

“Quando uma comunidade for realizar uma queimada na roça, é preciso agendar com uma de nossas equipes e aguardar a nossa chegada. Assim, podemos evitar que o fogo chegue às casas ou se espalhe por outras áreas”, ressaltou Talib Leite, lembrando que outras atividades realizadas por comunidades não tradicionais, como a extração de madeira, também contribuem para os incêndios florestais.

O gerente federal do Ibama, Marcelo Santana, explica que as equipes do PrevFogo vão escolher áreas georreferenciadas e de interesse comum para fazer as queimadas controladas em locais estratégicos no município. Segundo ele, esta técnica favorece a produção de frutas, a proteção da fauna e evita focos de incêndio descontrolados.

“A queimada controlada nestas áreas de manejo impede que haja novos focos de incêndio no perímetro, já que estes pontos já terão passado pelo processo de queima. Desta forma, poderemos ter um maior controle das áreas, evitando incêndios desordenados”, informou Marcelo Santana.

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