15 de abril de 2021

Assassino de jornalista diz que matou fundador de facção para não morrer

 Assassino de jornalista diz que matou fundador de facção para não morrer

Jhonathan Sousa Silva é assassino confesso da morte do jornalista Décio Sá, ocorrido em 2012. (Foto: Reproduão)

Jhonathan Sousa Silva é assassino confesso da morte do jornalista Décio Sá, ocorrido em 2012. (Foto: Reproduão)

Jhonathan Sousa Silva, preso no Complexo de Pedrinhas pelo assassinato do jornalista Décio Sá ocorrido em 2012, informou em depoimento à polícia, que matou o detento Alan Kardec porque estava sofrendo ameaças há quase de dois anos. O crime ocorreu domingo último, no presídio São Luís 4.

De acordo com Jhonathan contou “que, depois que foi ameaçado de morte, teve um desentendimento com Alan Kardec em um jogo de bola, sendo necessária a intervenção de outros internos para separar a briga; e que Alan Kardec gritava para os internos apoiarem ele”.

Ainda segundo relato de Jhonathan, há duas semanas se desentendeu com Alan Kardec em um jogo de xadrez, e que Alan havia dito a outro interno que resolveria suas diferenças com ele na quadra, porque, se não fosse do jeito dele, iria esfaqueá-lo. “Quando se encontrava em sua cela, uma noite antes do crime, ouviu o barulho de amolar de facas, mas não sabia de qual cela vinha. Na manhã, quando foi ao banheiro, encontrou um chuço no chão, próximo ao vaso sanitário. Pegou o chuço, indo em direção a Alan Kardec, e desferiu um golpe na região do peito quando estava no banho de sol”, disse o detento.

De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-MA), o caso será coordenado pelo delegado Luigi Conde Neto, da 12ª Delegacia de Polícia Civil, do bairro Maracanã. Detalhes sobre o caso serão mantidos em sigilo para não comprometer o andamento do processo investigativo. A Polícia Civil abriu um inquérito, e o caso está sendo investigado.

Jhonathan de Sousa retornou à Unidade Prisional de Ressocialização de São Luís (UPSL 4), onde estava custodiado em uma cela individual, em regime diferenciado. Segundo informações, ele retornou ao mesmo xadrez onde estava, justamente onde encontrou, no banheiro, o pedaço de ferro que foi transformado em arma usada para assassinar Alan Kardec.

Relembre o caso

Jhonathan de Sousa Silva matou Alan Kardec Dias Mota com golpes de ferro no peito, por volta das 7h30 do último domingo (07), durante o horário do banho de sol. O detento ainda chegou a ser levado para o Hospital Municipal Dr. Clementino Moura (Socorrão II), mas não resistiu e morreu no fim da tarde.

Alan Kardec Dias Mota era apontado como fundador de uma facção criminosa que atua em São Luís e era um criminoso considerado de altíssima periculosidade. Chegou a ser transferido, com outros oito detentos, para um presídio federal, em janeiro de 2014. Assim como Jhonatan, ele era custodiado em cela individual, na UPSL 4.

Depoimentos

Em nota, o delegado Luigi Conde, titular do 12º Distrito Policial, no bairro do Maracanã, em São Luís, informou que novos depoimentos envolvendo o homicídio do detento Alan Kardec Dias Mota, no domingo, 7, na Unidade Prisional de Ressocialização de São Luís 4 (UPSL 4), estão sendo agendados.

“Nos próximos 10 dias de investigação, tempo em que deverá demorar o inquérito policial, vamos ouvir outros detentos que participavam da rotina da vítima, servidores penitenciários e também familiares, se preciso for. A princípio, uma desavença teria motivado o crime, mas precisamos desses novos elementos para definir o caso. A situação do autor não muda, pois o mesmo já é interno do sistema prisional”, afirmou o delegado.

Johnathan de Sousa Silva, que já foi condenado a 25 anos de prisão pelo assassinato do jornalista Décio Sá, em 2012, prestou depoimento e foi inicialmente indiciado por homicídio qualificado, que é quando a vítima não tem chance de defesa.

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